domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ainda uma vez Adeus - Gonçalves Dias

I - Enfim te vejo! — enfim posso, Curvado a teus pés, dizer-te, Que não cessei de querer-te, Pesar de quanto sofri.Muito penei! Cruas ânsias, Dos teus olhos afastado, Houveram-me acabrunhadoA não lembrar-me de ti!
II - Dum mundo a outro impelido, Derramei os meus lamentosNas surdas asas dos ventos, Do mar na crespa cerviz!Baldão, ludíbrio da sorteEm terra estranha, entre gente, Que alheios males não sente, Nem se condói do infeliz!
III - Louco, aflito, a saciar-meD'agravar minha ferida,Tomou-me tédio da vida,Passos da morte senti;Mas quase no passo extremo,No último arcar da esp'rança,Tu me vieste à lembrança:Quis viver mais e vivi!
IV - Vivi; pois Deus me guardavaPara este lugar e hora!Depois de tanto, senhora,Ver-te e falar-te outra vez;Rever-me em teu rosto amigo,Pensar em quanto hei perdido,E este pranto doloridoDeixar correr a teus pés.
V - Mas que tens? Não me conheces?De mim afastas teu rosto?Pois tanto pôde o desgostoTransformar o rosto meu?Sei a aflição quanto pode,Sei quanto ela desfigura,E eu não vivi na ventura...Olha-me bem, que sou eu!
VI - Nenhuma voz me diriges!...Julgas-te acaso ofendida?Deste-me amor, e a vidaQue me darias — bem sei;Mas lembrem-te aqueles ferosCorações, que se meteramEntre nós; e se venceram,Mal sabes quanto lutei!
X - Tudo, tudo; e na misériaDum martírio prolongado,Lento, cruel, disfarçado,Que eu nem a ti confiei;"Ela é feliz (me dizia)"Seu descanso é obra minha."Negou-me a sorte mesquinha...Perdoa, que me enganei.
XVI - Dói-te de mim, que t'imploroPerdão, a teus pés curvado;Perdão!... de não ter ousadoViver contente e feliz!Perdão da minha miséria,Da dor que me rala o peito,E se do mal que te hei feito,Também do mal que me fiz!
XVII - Adeus qu'eu parto, senhora;Negou-me o fado inimigoPassar a vida contigo,Ter sepultura entre os meus;Negou-me nesta hora extrema,Por extrema despedida,Ouvir-te a voz comovidaSoluçar um breve Adeus!
XVIII - Lerás porém algum diaMeus versos d'alma arrancados,D'amargo pranto banhados,Com sangue escritos; — e entãoConfio que te comovas,Que a minha dor te apiadeQue chores, não de saudade,Nem de amor, — de compaixão,
Bem, como vocês deve ter percebido o poema não está completo. Ele realmente muito grande, então escolhi os versos mais marcantes do poema, quer quiser o link está aí em cima, e conferir o poema todo.
Gonçalves Dias , grande poeta do Romantismo da primeira geração,conhecida também como nacionalista ou indianista, é considerado o consolidador do Romantismo no Brasil.
No link acima, também traz informações do poeta. Quem quiser conferir, não irá se arrepender.
Desculpem a ausência,mas as aulas começaram e isso complica um pouco, mas faremos o possível para sempre atualizar o blog! E é isso,boa semana a todos e muita literatura! ^^
Danilo Sátiro.

5 comentários:

Line disse...

Daaan...são lindooos os versos...mas digo logo que só li o I, o II e o ultimo [:P]

beijos

rodrigo disse...

Nossaaaa!
O blog de vcs é perfeito!
Adorei;

Estão de parabéns!

Diaba disse...

Vcs estão fexando com esses sublimes,magnifikos,texto e seus derivaods....
Minha mãe do céu..!!
muito interesante cada um...
xêrão...

Cila

Anônimo disse...

adoro os textos do Romantismo ;}


blog ótimo. :D


:*

Danilo S. disse...

Eu tinha que comentar,né?
Um dos donos do blog ué!
xD~

Ai zá, era uma idéia apenas,né? e olha o que a gente já fez! ;)
Era um fotolog e tal,e nada.Acabamos criando um blog, ecomo sempre tá lindo ele...
{Sem modéstia uai!} =P


beijoo ;*